Vivemos uma era de deficit de empatia?

Uma das importantes palavras contemporâneas do FikaConversas é a empatia. O card da Caixeta diz:

“Colocar-se no lugar de alguém, de forma que a vida e a história desse alguém nos faça sentir o que a pessoa sente e nos faça ampliar nosso entendimento do que é humano – eis a empatia. A escuta empática aproxima as pessoas, possibilita conexões e abre caminhos para relacionamentos mais profundos.”

A empatia é reconhecida hoje como um ingrediente essencial do bem estar humano. Ela ajuda a criar as relações humanas que dão sentido às nossas vidas. Porém, segundo Roman Krznaric, autor do livro “ O Poder da Empatia”, a sociedade contemporânea vive um enorme deficit de empatia e, ao contrário do que se imagina, as redes sociais não têm se mostrado efetivas na redução deste quadro.

Considerando que os seres humanos são naturalmente empáticos e que têm necessidade de estabelecer conexões positivas com outros seres humanos e com a natureza que os cerca, vale investir ativamente e exercitar constantemente a empatia.  Uma das maneiras de resgatar e desenvolver a empatia, é reconhecer a humanidade do outro, ou seja, olharmos para o outro como alguém que necessariamente tem valores, mesmo aqueles com quem não temos afinidades ou não concordamos a maior parte do tempo.

Neste sentido,  uma mudança de lentes pode ser extremamente útil: nos movermos da tão difundida ideia de “tratar aos outros como eu gostaria de ser tratado” (Regra de Ouro) para “tratar os outros como eles gostariam que você os tratasse” (Regra de Platina).

Também é premente um resgate da responsabilização pelo bem-estar coletivo. Vivemos em uma cultura de terceirização da responsabilidade. Muito comumente atribuímos aos outros a responsabilidade por ações e posturas que geraram insucessos ou desentendimentos. E quando assumimos alguma responsabilidade, o fazemos com foco exclusivo no bem-estar individual. Se há alguns anos os adultos eram responsáveis pela educação para a cidadania de todas as crianças de suas comunidades, hoje entendemos que não deveríamos “dar palpite” no que não nos diz respeito.

Parece que a consciência ecológica vem sendo um importante fator para o resgate da responsabilização coletiva pelo bem-estar de nosso meio ambiente. Premente agora, se faz o resgate da responsabilização coletiva pelo bem-estar relacional através do exercício constante da empatia.

Para se aprofundar no assunto, confira este vídeo de Roman Krznaric:

Cristina Assumpção – capacitadora, mediadora de conflitos e facilitadora de práticas restaurativas.

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